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15/05/2019

Como os microrganismos do solo contribuem na saúde das plantas?

Os microrganismos do solo têm papel importante no crescimento das plantas e no desempenho das culturas.

Os microrganismos do solo têm papel importante no crescimento das plantas e no desempenho das culturas. Já se sabe, há muito tempo, que alguns micróbios — como fungos micorrizas e bactérias simbióticas fixadoras de nitrogênio — ajudam na nutrição mineral. Entretanto, a extensão completa de micróbios associados às plantas e seu potencial para substituir fertilizantes tradicionais ainda está sendo pesquisada.

 

Nos últimos anos, cientistas fizeram bastante progresso na descoberta da composição de microbiomas rizosféricos e suas dinâmicas. Hoje, novas pesquisas são conduzidas para melhorar o uso de microrganismos para combater plantas daninhas, recuperar solos degradados, aumentar a fertilidade e até produzir antibióticos.

 

Neste artigo, você entenderá melhor como os microrganismos do solo contribuem para a saúde das plantas. Começaremos explicando a importância e os tipos. Em seguida, mostraremos o impacto nas culturas propriamente ditas. Ao final, provaremos que o uso inteligente deles contribuiu para a sustentabilidade dos agroecossistemas. Confira!

 

A importância e os tipos de microrganismos presentes no solo

Uma reportagem do The New York Times, publicada em 2009, conta que cerca de 90% de todas as plantas terrestres dependem dos chamados fungos micorrizas, que se alimentam dos açúcares delas enquanto fornecem nutrientes vitais, como fósforo e nitrogênio. Segundo o texto, talvez as plantas nunca tivessem saído da água, há cerca de 500 milhões de anos, sem a ajuda desses parceiros.

 

Já o papel das bactérias na agricultura é conhecido desde, pelo menos, o século XIX. Na década de 1950, já se usava espécies, como Azotobacter chroococcum e Bacillus megaterium para aumentar o tamanho e a rentabilidade das culturas. Nos últimos anos, a pesquisa tem evoluído na direção de criar comunidades sintéticas racionalmente planejadas, chamadas de SynCmos.

 

O objetivo é entender como os microrganismos do solo aprimoram o crescimento e defesa das plantas, de forma a não apenas à distribuir uma ou outra espécie, mas criar uma comunidade de micróbios customizada para uma função específica.

 

As plantas, por sua vez, também ajudam os microrganismos a prosperarem; afinal, trata-se de uma relação simbiótica. Um fator-chave para determinar a população de um microbioma é a liberação, pela planta, de compostos orgânicos em sua rizosfera, processo conhecido como rizodeposição.

 

A quantidade e composição desses depósitos orgânicos variam de acordo com a espécie da planta e seu estágio de desenvolvimento, mas pode chegar a 11% do carbono e 16% do nitrogênio fixados no solo. Este processo influencia a composição química e física da rizosfera, e, por sua vez, fornece moléculas e substratos para crescimento dos micróbios.

 

Portanto, assim como ocorre para as plantas, também, o crescimento e desenvolvimento dos microrganismos do solo dependem de vários fatores ambientais, tais como quantidade de nutrientes disponíveis, umidade, grau de aeração, temperatura e o pH. Não se trata, naturalmente, de uma relação simples de causa e efeito: a presença desta ou daquela composição de plantas e micróbios afeta o solo e, por consequência, as formas de vida contidas nele.

 

Os impactos dos microrganismos nas plantas

Três mecanismos são usados na literatura científica para explicar como a atividade dos micróbios interfere no crescimento das plantas:

 

  • manipulando a sinalização hormonal das plantas;
  • repelindo ou vencendo a competição contra outros micróbios patogênicos (que causam doenças);
  • aumentando a biodiversidade de nutrientes do solo.

 

Em ecossistemas naturais, nutrientes, como nitrogênio (N), fósforo (P) e enxofre (S), estão “presos” em moléculas orgânicas e, portanto, em disponibilidade reduzida para as plantas (que não conseguem caçar).

 

Para acessar esses nutrientes, elas dependem de bactérias e fungos, que possuem o maquinário metabólico necessário para despolimerizar e mineralizar formas orgânicas de N, P e S. Formas inorgânicas desses nutrientes são liberadas no solo, sendo especialmente atraentes para as plantas, as espécies iônicas, como amônio, nitrato, fosfato e sulfato.

 

Em alguns casos, esse uso da biotecnologia é a última etapa para assegurar que uma cultura chegue à máxima produtividade possível.

 

Microrganismos podem ajudar na recuperação de solos degradados. A fixação biológica de azoto por meio da simbiose entre leguminosas e as bactérias, conhecidas como rizóbios têm o potencial de libertá-las da dependência de fertilizantes azotados. O uso de rizóbios como biofertilizantes pode recuperar solos de baixa fertilidade, por meio da instalação de pastagens biodiversas com leguminosas.

 

Bactérias do solo também estimulam as plantas a produzir fitohormônios, que as ajudam a crescer e desenvolver. O fitohormônio de origem bacteriana mais comum é a auxina, que promove a formação de raízes, aumentando a capacidade exploratória da planta. Com raízes mais extensas, as plantas se alimentam melhor em qualquer condição climática e têm melhores condições de gerarem frutos e flores.

 

Outra importante aplicação dos microrganismos ocorre em relação às plantas daninhas. Um estudo, em 2014, mostrou que as daninhas são mais dependentes do que as culturas em relação aos microrganismos para aumentar seu crescimento. Entender melhor a interação entre microrganismos e plantas pode, portanto, ajudar a cultivar um solo mais produtivo.

 

Microrganismos do solo e a sustentabilidade

Na maioria dos sistemas agrícolas, atualmente, macronutrientes são fornecidos por meio da aplicação de fertilizantes. Porém, práticas insustentáveis de fertilização estão contribuindo para alterações, em grande escala, dos ciclos biogeoquímicos da terra, por mecanismos, como degradação do solo, eutrofização das águas e emissão de gases de efeito estufa. Além disso, reservas de fosfato mineral estão diminuindo rapidamente e devem se exaurir em poucas décadas.

 

Microrganismos contribuem para a sustentabilidade dos agroecossistemas, não apenas reduzindo os impactos ambientais da agricultura, mas também representando um meio de se obter fertilizantes de alta performance que não se esgotarão no longo prazo.

 

Estudos já mostraram que o uso de microrganismos reduz a necessidade de fertilizantes químicos nas culturas e também leva à diminuição das perdas de nutrientes por lixiviação ou volatilização.

 

Microrganismos do solo são aliados já há muito conhecidos do agricultor, mas as potencialidades desses pequenos amigos, para aumentar a produtividade e rentabilidade das culturas, ainda não foram totalmente desenvolvidas. Novas pesquisas e experimentos podem ajudar a agricultura do futuro a produzir muito mais com o uso da biotecnologia, preservando os solos e usando a natureza a favor.

 

FONTE: SUPERBAC

http://www.superbac.com.br/blog/como-os-microrganismos-do-solo-contribuem-na-saude-das-plantas/